PASSOS

Para começar a tratar deste assunto, remetamos ao primeiro de todos eles, o passo básico. Este elemento, apesar de muito importante no inicio, vai sendo gradativamente deixado de lado quando o aluno aprende outros passos. Na verdade, a única função do passo básico é ser a introdução do aluno na dança. A partir daí, ele vai pouco a pouco sumindo entre os outros movimentos. É importante, na verdade que este passo suma, pois ele normalmente é metódico e pouco fluído, como é o caso do samba, do bolero, da salsa, do tango e etc. Ou seja. Passo básico existe para ser transcendido. Conforme o aluno aprende os demais passos e suas possibilidades de ligações, naturalmente vai se abandonando essa forma. Podemos também explorar movimentações mais musicais, para que sejam feitas entre os passos, mas que não seja o “passo básico”. Logo, discussões, elaborações ou diferenças entre passos básicos ensinados de tal ou qual forma, são de fato perda de tempo, pois de qualquer forma, essa movimentação deverá ser mais cedo ou mais tarde abandonada. Assim como ao adentrarmos a uma casa, passamos pela porta de entrada e seguimos adiante, com o passo básico, ocorre o mesmo, entra-se na dança através dele que logo fica para trás. De fato, o passo básico metódico é uma expressão demasiado rítmica e metódica para ser realizada por um aluno avançado, por isso, com o passar do tempo, a dança não cabe mais nessa forma. Na verdade, com o desenvolvimento do aluno, a dança não cabe mais em nenhum passo, pois mesmo os mais elaborados, são metódicos e até limitantes para um aluno avançado. Assim depois de certo nível, o dançarino entra e sai de passos quebrando suas formas metódicas e aplicando suas mecânicas de formas diversas, musicais e não convencionais. Os passos, como são ensinados não são mais que gaiolas de ouro das quais teremos que nos libertar um dia, quanto mais cedo o fizermos melhor. Na verdade a única função dos passos é deixar os alunos dependentes de formas, que ainda não estão preparados para quebrar, de fato, devemos como professor, incentivá- los a quebrá-las. Fazemos isso ensinado diversas formas de fazer o mesmo passo, entradas e saídas diferentes, e até meios diversos e em seguida libertar o aluno para que ele crie suas próprias formas de fazer os movimentos. Além disso devemos trabalhar- lhes a musicalidade e a estrutura corporal, para que eles tenham capacidade de "voar".

(Rafhael Biazzi)

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