A dança nasce da relação entre corpos, da cumplicidade de movimentos. Ele nela e ela nele, corpos que se entrelaçam sem se perderem, que se buscam e se envolvem. Desse tipo de vivencia nascem passos que pareceriam impossíveis a nossa mente, esses são os passos da lama. Não precisamos pensar em que faremos, envolvidos pela musica, os corpos descobrem os caminhos que os levarão a realizar a dança da forma mais perfeita e sublime que existe.
Difícil? Talvez, pois estou falando de expressão, umas das mais contraditórias forças do ser humano. Surgem bloqueios e tabus dos mais diferentes tipos criados desde o período pré-natal, amarras que vão dominando as nossas mentes e nos dizendo que isso não é para nós, que preferimos algo mais convencional. Mas se dança é arte, deve servir justamente para nos libertar desse tipo de amarra que muitas vezes nos afasta da felicidade. Deve ser o reflexo do que sentimos e não resultado do que pensamos. Arte não se aprende, se direciona e desenvolve. Arte aflora quando a técnica é dominada.
E qual é a técnica e qual é a arte no caso da dança a dois? Técnica é o equilíbrio, o alongamento, a flexibilidade, a consciência absoluta sobre o próprio e o domínio, no caso do cavalheiro, do eixo da dama. A relação, a entrega e o controle dos corpos em partes como um todo. A consciência de nossas possibilidades articulatórias. Se permitir ouvir a musica com ouvidos puros. O que acontece no decorrer de nossa vida, é que ouvimos tanta coisa que aprendemos a não escutar tudo. Temos que voltar atrás, à nossa “velha infância”, onde encontraremos nossos ouvidos prontos para descobrir o mundo. Isso tudo é técnica. Como vamos nos movimentar? Ai é outra coisa.
A musica inspira nossas almas e nós, munidos de toda a técnica passamos a expressar dança, passamos a nos movimentar em função da emoção que sentimos. Então penetramos num mundo de linguagem não verbal, e por isso muito mais perfeita. Pois nas palavras, muitas vezes não cabem os sentimentos certos, e de nossos corpos eles afloram, e como que por encanto, passamos a ser mais felizes e completos, nos encontramos com algo que havíamos perdido há muito tempo, nossa real identidade emocional, nós mesmos. Não perca tempo, viva a dança e ela mudará sua vida! Rafhael Biazzi
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